29/04/2018

Bombons de coco e chocolate só com 4 ingredientes

God Morgon!
Escrevo-vos de Estocolmo e trago mais uma receita biológica. Esta semana até parecia mal se assim não fosse.
É a primeira vez que estou num país nórdico e, apesar de se constatar tudo aquilo que já sabemos sobre o nível de desenvolvimento do Norte da Europa - a sério, é bom pensar que a igualdade de género, salarial, o apoio à natalidade, as infra-estruturas, a saúde e a educação podem ser mesmo de excelência -, há coisas que surpreendem. Uma delas é, obviamente, a alimentação. Não estou a mentir se disser que os ingredientes dos pequenos-almoços dos dois hotéis onde já estive são entre 70-80% biológicos. Os ovos, os iogurtes, os cereais, os cafés e os chás são sempre biológicos.
E nos supermercados e cafés não são mais caros que os não-orgânicos!
 Lembro-me de uma vez ter lido, a propósito da Dinamarca poder vir a ser o primeiro país com agricultura exclusivamente biológica, que Portugal estaria com um atraso de 20-25 anos. É um bocadinho assustador pensar que vou continuar mais de metade da minha vida a ter tangerinas e morangos a saber a químicos. Adiante.
Outra coisa que achei deliciosa em Estocolmo foi um bombom com base de chocolate e café, o chokladbollar. Mais uma vez, é difícil encontrar uma versão que não seja bio. A receita de hoje é inspired by. Espero que gostem. Acompanhem-me no Instagram onde há muitas fotografias desta viagem. :)




INGREDIENTES
[15 bombons]

150 de coco ralado
120 ml de leite de coco biológico, Origens
150 g de chocolate negro 70% biológico
2 colheres de sopa (cheias) de mel de rosmaninho, Santa Maria

Lascas de coco desidratado biológico, Desidrata (facultativo)

PREPARAÇÃO
  1. Numa taça, colocamos os ingredientes pela ordem indicada (excepto os flocos de coco), mexendo entre cada adição.
  2. Formamos pequenos bombons entre as mãos e colocamos no congelador por cerca de 30 minutos a 1 hora.
  3. Derretemos o chocolate em banho-maria. [Se necessário, juntamos um pouco de leite de coco para ajudar a derreter]. Passamos cada bombom pelo chocolate derretido e colocamos num tabuleiro, sobre papel vegetal. Repetimos o processo até todos os bombons estarem cobertos por chocolate.
  4. Polvilhamos com coco ralado e lascas de coco e levamos ao frio até servir.
Post escrito em parceria com o espaço Bio & Natural dos supermercados El Corte Inglés.


02/04/2018

Pavlova de frutos vermelhos | RECEITA BIOLÓGICA


Quando imaginei uma receita para a Páscoa, não me ocorreu fazer outra coisa que não uma pavlova.

A receita de pavlova que guardo há vários anos foi-me dada por uma amiga que cozinha muito, muito bem. Apesar do aspecto ultra vistoso, apetitoso, guloso e, aparentemente, trabalhoso, fazer uma pavlova é muito fácil. Mesmo. Batem-se as claras e espera-se que o merengue fique pronto no forno. Podem fazer o merengue de véspera, no caso de não terem muito tempo, que foi o que fiz para o meu almoço de Páscoa. 
Para além disso, tem alguns truques, que só com o tempo e a experiência se apreendem, mas que eu partilho já para garantir que vos sai perfeita logo à primeira. 

Na verdade, ontem, só queria que passássemos rápido a parte das entradas e dos pratos principais. Havia muita comida na mesa e as pessoas, chegadas à sobremesa, já não tinham grande espaço disponível no estômago. Mas uma pavlova, é uma pavlova. Toda a gente quis e pediu bis - como diz a música do Sérgio Godinho.

A boa notícia - para todos - é que esta receita é mais saudável que a habitual. Ninguém deu pela falta das natas, porque usei a versão grega e bem cremosa da minha marca de iogurtes preferida, a Pastoret, e também ninguém se queixou da falta de doçura, apesar do açúcar não ser o branco refinado. E a hortelã é o-bri-ga-tó-ri-a.

É uma receita 100% biológica, onde os frutos vermelhos brilharam e sabiam ao que deviam saber sempre.

É assim que se fazem pessoas felizes.





INGREDIENTES

5 claras biológicas
1 pitada de sal
150 g + 150 g de açúcar biológico Native
1 colher de chá de amido de milho (Maizena)
1 colher de chá de vinagre de vinho branco

200 g de morangos biológicos
125 g de mirtilos biológicos
4 hastes de hortelã biológica Vasco Pinto
1 colher de sopa de açúcar
4 iogurtes biológicos Pastoret (receita grega)

PREPARAÇÃO
  1. Pré-aquecemos o forno a 100º C.
  2. Forramos um tabuleiro com duas folhas de papel vegetal. Reservamos
  3. Batemos as claras em castelo bem firme com uma pitada de sal, juntando, pouco a pouco, 150 g de açúcar.
  4. À parte, misturamos 150 g de açúcar com 1 colher de chá de amido de milho e adicionamos ao preparado de claras. Por fim, acrescentamos o vinagre e envolvemos.
  5. Deitamos as claras no centro do papel vegetal, desenhando um círculo e fazendo um buraco no meio (o espaço para o recheio).
  6. Levamos ao forno por cerca de 120 minutos, controlando sempre.
  7. Entretanto, arranjamos os frutos e misturamos numa taça com folhas de hortelã e uma colher de açúcar, para macerar.
  8. Assim que o merengue estiver pronto, deixamos arrefecer um pouco e vertemos o iogurte no centro do merengue.
  9. Enfeitamos com os frutos vermelhos e servimos de imediato.
Alguns truques
  • Forrar sempre o tabuleiro com duas folhas de papel vegetal e não uma;
  • O tabuleiro deve ser colocado em cima da rede do forno e não do tabuleiro do forno, para que coza uniformemente;
  • Quando uso frutos vermelhos, e não há crianças para comer, sugiro que se junte um cálice de Vinho do Porto uma a duas horas antes e se deixe a macerar.

Post escrito em parceria com o espaço Bio & Natural do El Corte Inglés Gaia-Porto


01/10/2017

Bolo de maçã sem açúcar | receita biológica para crianças


Assim que testei este bolo de maçã pela primeira vez, num espaço de 24 horas fiz três fornadas. 
Esta receita não tem açúcar - adoçámos com mel - e usei, pela primeira vez, óleo de côco num bolo. Fi-la especialmente para o programa Filhos & Cadilhos, do Porto Canal - podem ver aqui o vídeo (a partir do min' 14:35) - e onde é sempre um enorme gosto regressar.

29/05/2017

Tarte-creme de côco e limão


Apercebi-me de que estava absolutamente viciada, corrompida, dependente do iPhone no exacto dia em que fiquei sem ele. Levei-o para análise não-invasiva à iStore do Norteshopping e o pobre aparelho, que foi entregue ainda com vida, ficou em observação. O display não reagia. Mais tarde, foi enviado para o laboratório e não mais saiu do coma profundo.
Passei uma semana a lamentar a sua ausência até que recebo um aviso de que estava à minha espera um equipamento novo. "Novo", disseram eles.

Comecei tudo do zero.
Cópia de segurança feita, passwords repostas, aplicações descarregadas, imagens escolhidas, tons de toque, emparelhamentos vários, tudo isso capaz de me tirar anos de vida figurava agora no meu novíssimo companheiro.
Um ou dois dias depois, estava eu parada no trânsito e o sol abrasador e satírico batia no ecrã do iPhone. "Não devo estar a ver bem", pensei.
Tirei os óculos de sol. Limpei o ecrã com a t-shirt, depois com o pano dos óculos e os riscos permaneciam. São internos, uma espécie de cruz que se prolonga e atravessa o ecrã.
Voltei à iStore. Não estava particularmente bem disposta, não tinha tempo para passar a vida ali, estavam mais duas pessoas muito zangadas a reclamar ao balcão e, enfim, o mínimo que um cliente pode exigir é seriedade e, vá, algum cuidado. Se pago mais de 800 euros por um telemóvel é natural que a minha fasquia esteja elevada.

Do lado de lá, disseram-me que estes telemóveis de substituição, apesar de "nunca saírem da fábrica da Apple", são "recondicionados" pelo que "estas situações podem acontecer". A parte mais anedótica foi o funcionário ter rematado com um "e passam em todos os testes". A sério? Que testes são estes que não detectam falhas visíveis a olho nu?
Pedi o livro de reclamações e estou, desde então, a preparar-me psicologicamente para entregar novamente o aparelho. Não imaginam o quanto isto me transtorna. E ter que ser eu a assumir um erro da Apple é só inacreditável. Isto já vos aconteceu? 

27/01/2017

Bolo de mirtilos com sementes de papoila


Até esbarrar num bolo de mirtilos da Tara O'Brady, uma das muitas receitas do seu livro Seven Spoons, a minha vida decorria sem grandes percalços, que é como quem diz, nada me afligia de sobremaneira.
Só que aquela página nunca mais me abandonou até que, na terça-feira, decidi ir ao supermercado comprar os ingredientes que faltavam (tinha a maioria em casa o que também foi um bónus). 
Adiei até quinta.
Ontem, quando acordei disse mal da minha vida. O dia estava escuro, luminosidade zero, uma tragédia para quem, como eu, fotografa sempre dependente das condições climatéricas. Não desisti. Não fiz o bolo de manhã, esperei pelas abertas com que a tarde mais provavelmente me brindaria (ingénua).
Fui obrigada a acender a luz - que detesto e que me faz gostar um bocadinho menos destas fotografias - mas não dramatizei (mais).

Hoje de manhã, a rotina habitual: acordei, vesti a Camila - que já tinha tomado o leite - ela foi para escolinha e eu tomei o pequeno-almoço tranquilamente (e publiquei-o no Instagram).
Depois, sentei-me na cadeira branca que é uma réplica muito boa da Charles Eames, tirei o cartão da máquina fotográfica e introduzi-o no computador.
O cartão já tem uns anos e muito, muito uso, e de todas as vezes que faço este gesto penso que já devia ter um pé na Fnac para o substituir por outro. Mas não, a letargia, sempre a letargia. 
O ícone da fotografia não saltitava como habitualmente. Nem sinal do cartão.
Meia hora.
Uma hora.
Inspira, expira. Este bolo está contra mim.

O cartão dá sinal de vida e eu quase me comovi.
Começo a ver as imagens.
Um flagelo: demasiado escuras, a luz não resultou, a edição não melhora. Lixo. Faço a selecção possível e acho que esteticamente a composição ficou muito aquém do que é o meu padrão. 

Depois, penso no que é realmente importante: o sabor do bolo.

A massa é muito leve, os mirtilos nasceram para estar ali, a raspa de limão e a baunilha rejubilam o palato e não se pode pedir muito mais do que isto de um bolo.
Questiono-me se vale a pena a partilha. Respondo-vos com o que se segue.

13/01/2017

Bolo de curgete e limão

- "Curgete num bolo, Ana?" - parece que vos oiço daí, a questionar o ecrã do computador ou telemóvel ou tablet enquanto franzem o sobrolho, como quem espera respostas de um objecto inerte.

Esperem. Não fechem este post antes de lerem o que tenho para vos dizer.
Dou-vos algumas razões para não desistirem da minha sugestão antes mesmo de começarem: a curgete é comestível (e isso quase que bastaria), tem inúmeras vitaminas (a maioria na casca, daí a usarmos) e não tem um sabor dominante no bolo. Aliás, praticamente imperceptível.

E, por último, só mais uma a meu favor: o princípio da confiança. Alguma vez vos apresentei uma coisa má? 

20/12/2016

Banoffee Alasca [ou a mais decadente sobremesa deste Natal]

O título deste post não é inócuo nem é uma hipérbole. 

Quando recebi o livro com As Receitas de Natal do Jamie Oliver, da Porto Editora, seleccionei algumas sugestões que gostaria de replicar na minha cozinha. De mini post-its em riste, lá fui eu colorindo o livro com os sinais que o meu cérebro me ia enviando, sempre muito mais focado em doces do que em salgados. Nada a fazer.
Sinal ou não, certo é que passei na página da Banoffee Alasca várias vezes.  Muitos passos, receita demorada, aspecto divinal. Eu que gosto muito de desafios, achei que este podia ser superado com sucesso graças aos ingredientes que tinha facilmente ao meu alcance em qualquer supermercado (só não encontrei o xarope de café, mas já vos conto como contornei isso) e com utensílios básicos (o mais invulgar pode ser o termómetro para medir o ponto de açúcar da calda). Enfim, tinha tudo para dar certo - e deu muito certo.

Vamos por partes:

A boa notícia é que é uma receita fácil e terminei-a a tempo de fotografar com luz natural; 
A má notícia é que dá trabalho. Ou melhor, é muito demorada. O autor diz que demora uma hora mais o tempo de arrefecer e congelar. É verdade. Uma pessoa fixa "uma hora" e imagina ter tudo controlado. Só que o tempo de arrefecer e congelar é de, no mínimo, outra hora... e meia.
Mas podem fazer cerca de metade da receita de véspera (não podem, devem!);
Por fim, última notícia da agenda: não sobrou nada para contar a história. Se isso é bom? Mau é que não é.
Se ainda se estão a perguntar se vale mesmo a pena irem para a cozinha tanto tempo para uma só receita, deixem-me falar-vos de banana macerada em sumo e raspa de lima, caramelo de doce de leite, gelado de baunilha e uma base crocante de amêndoa. 
É isso mesmo: uma explosão de alegria.
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