29/05/2017

Tarte-creme de côco e limão


Apercebi-me de que estava absolutamente viciada, corrompida, dependente do iPhone no exacto dia em que fiquei sem ele. Levei-o para análise não-invasiva à iStore do Norteshopping e o pobre aparelho, que foi entregue ainda com vida, ficou em observação. O display não reagia. Mais tarde, foi enviado para o laboratório e não mais saiu do coma profundo.
Passei uma semana a lamentar a sua ausência até que recebo um aviso de que estava à minha espera um equipamento novo. "Novo", disseram eles.

Comecei tudo do zero.
Cópia de segurança feita, passwords repostas, aplicações descarregadas, imagens escolhidas, tons de toque, emparelhamentos vários, tudo isso capaz de me tirar anos de vida figurava agora no meu novíssimo companheiro.
Um ou dois dias depois, estava eu parada no trânsito e o sol abrasador e satírico batia no ecrã do iPhone. "Não devo estar a ver bem", pensei.
Tirei os óculos de sol. Limpei o ecrã com a t-shirt, depois com o pano dos óculos e os riscos permaneciam. São internos, uma espécie de cruz que se prolonga e atravessa o ecrã.
Voltei à iStore. Não estava particularmente bem disposta, não tinha tempo para passar a vida ali, estavam mais duas pessoas muito zangadas a reclamar ao balcão e, enfim, o mínimo que um cliente pode exigir é seriedade e, vá, algum cuidado. Se pago mais de 800 euros por um telemóvel é natural que a minha fasquia esteja elevada.

Do lado de lá, disseram-me que estes telemóveis de substituição, apesar de "nunca saírem da fábrica da Apple", são "recondicionados" pelo que "estas situações podem acontecer". A parte mais anedótica foi o funcionário ter rematado com um "e passam em todos os testes". A sério? Que testes são estes que não detectam falhas visíveis a olho nu?
Pedi o livro de reclamações e estou, desde então, a preparar-me psicologicamente para entregar novamente o aparelho. Não imaginam o quanto isto me transtorna. E ter que ser eu a assumir um erro da Apple é só inacreditável. Isto já vos aconteceu? 
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