O pequeno-almoço é a minha refeição preferida. Em tempos idos (embora não muito longínquos), não havia nada que perturbasse aquele momento.
Acordava, esticava os braços em direcção ao céu (gosto de pensar que não é apenas um tecto branco) e dirigia-me à cozinha. Todo o meu corpo era alegria e o cérebro tilintava de ideias. Papas de aveia quentinhas? Panquecas de maçã? Pudim de chia? Torradas com compota?
Não havia dias iguais.
Desde que a Camila nasceu, sejamos sinceros, acordo a muito custo e arrasto-me até à cozinha. Se ela me der tempo, ponho duas fatias de pão na torradeira e fervo a água para o café.
É um esforço hercúleo e - acreditem - um luxo nesta fase da vida. Mas há coisas que valem mesmo a pena.


