07/03/2017

Um ano de alegria e uma festa a condizer

Passou um ano. Passou mais de um ano desde aquela madrugada - e eu ainda tenho dificuldade em acreditar. Não porque seja saudosista - os primeiros meses em particular, entre cólicas, babyblues e choro desafiante e em escalada, não me deixaram especialmente saudades, - mas não deixa de ser surpreendente assistir a tudo isto. Ver o crescimento da Camila, formá-la, formando-me também, é o maior privilégio da minha vida e um estado de graça indizível.
Escrevo-lhe amiúde num caderno próprio para não me esquecer de nenhuma fase e para que um dia possamos reviver tudo juntas. E a festa do primeiro aniversário será certamente um capítulo importante.

Como havia dito num post anterior, decidi organizar a festa de fio a pavio e como sei que há por aí muitos pais (mães, no caso) a passar pelo mesmo, queria indicar-vos alguns contactos e os sítios onde me dirigi. Imagino que alguns deles sejam muito úteis, senão agora no futuro.


Em primeiro lugar, os convites para a festa. Tenho alguma facilidade em manusear programas de edição de imagem, mas até nem foi preciso.  Fiz tudo no site Canva e em menos de 10 minutos.
Felizmente, todos os convidados têm e-mail ou telemóveis que recebem imagens e os convites seguiram num ápice até ao destino.

Depois, seguiu-se a organização propriamente dita.
Comecei por apontar num caderno o número de convidados e o que seriam os "comes e bebes". 
A maioria dos artigos de festa, isto é, pratos, copos, guardanapos, pacotinhos para pipocas, balões, grinaldas com passarinhos, pompons, letras e chapeuzinho da festa (que era um mimo!) encomendei online na Docinho de Açúcar, uma loja onde se perde facilmente a cabeça.
O que eu sugiro é que, em primeiro lugar, pensem no tema da festa e nas cores com que gostariam de pintá-la e só depois comecem a pesquisa. Isto se não quiserem perder uma eternidade, porque a loja tem milhares de produtos. Entregam em casa em dois dias.


O bolo foi o elemento de maior destaque da mesa pela imponência. 
Descobri a Marta Queiroz, que é cake designer há muito tempo, um pouco por acaso e foi um daqueles acasos felizes. Vi o portfólio no site e achei que tinha o mood certo.
A Marta foi de uma delicadeza e atenção excepcionais. Escolhi um bolo muito simples, de duas camadas, em massa tipo pão-de-ló e recheio de ganache de chocolate belga negro. 
As fotos ilustram bem o trabalho, que estava perfeito. Para além disso, encomendei também uns cupcakes (com sabor a laranja e um pouco de creme de ovo no interior) que foram decorados com o número 1 e o C e umas bolachas com os animais preferidos da Camila. Recomendo vivamente que espreitem o site da Marta caso estejam a planear fazer uma festa (aniversário, casamento, baptizado, o que for).


Como se tratava de um lanche volante, fazia sentido ser à base de fingerfood. Para isso, contei com a ajuda de duas tias que fizeram quase tudo (bôla, mini-rissois, empadinhas de vários sabores e copinhos de gelatina). Neste departamento, só tive que tratar do pão, queijos, bebidas, frutas, pipocas e pouco mais.

Os talheres trouxe da Party Fiesta, onde também me encheram os balões com hélio na noite anterior. Obrigada ao Bruno e ao Emanuel.

As lembranças para os convidados foram uns corações cor-de-rosa que fiz com muita paciência. Comprei uma espécie de cartolina brilhante esponjosa nos tons da festa (rosa e branco) e depois foi recortar e colar nos pauzinhos de madeira. No verso, escrevi apenas Camila e a data do aniversário.
Ainda da papelaria veio um caderno com um coração onde as pessoas deixaram a sua mensagem para a aniversariante.





E a vida que lhe cabe inteira nos olhos?


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03/03/2017

A Bigas (a)prova


Na semana passada, fui almoçar com uma amiga ao Berry, um café que abriu recentemente no Ervanário Portuense de Júlio Dinis e que tem como inspiração a agricultura biológica e a consciência ecológica. Espaço pequenino e acolhedor, comida saudável, fresca e sabor irrepreensível.
Mas não é disso que vos quer falar. Se a minha ida ali foi motivada por um almoço rápido, devo dizer-vos que a loja em si arrecadou mais de uma hora do meu tempo. Gosto muito de explorar prateleiras, de ler rótulos, de ir criando inspirações.
Desta feita, após pesquisa exaustiva, trouxe para casa três novos inquilinos que me têm feito companhia numa base diária - alguns deles mais do que uma vez por dia - e quero partilhá-los convosco para que possam também conhecê-los. Ou contarem-me a vossa experiência.



1. Cacau cru em pó com açúcar de côco e especiarias indianas, da Ethnoscience
Antes de proferir as próximas palavras, uma adenda: estou viciada nisto. 
Trata-se de um pó de cacau cru que, na verdade, é mais um adoçante biológico feito à base do açúcar de côco onde predomina, sim, o sabor a cacau e o intenso travo a canela, curcuma, cardamomo e gengibre. Assim de repente, o que é que pode ser melhor do que um cocktail de cacau e especiarias? Nada.
Polvilho-o sobre bebidas quentes como café ou macchiatos, o que me permite diminuir a quantidade de outro adoçante que pudesse usar, mas também já experimentei em panquecas e imagino que em bolos fique igualmente bem. 
Não o encontro na loja online, mas o preço andará à volta dos 9€.

2. Stevia líquida, da Santiveri
Outro adoçante natural extraído da planta da stevia, sem calorias.
Eu, fiel consumidora do brasileiro Zero Cal e das minhas duas gotas diárias, encontrei agora um substituto não à altura, mas muito melhor. Mais saudável e pequeno o suficiente para transportar na carteira como faz a minha amiga Sofia.
Podem comprá-la online aqui.

3. Despertar de Buda de Maca e Baunilha, da Iswari
A maca é um super-alimento que fortalece o sistema endócrino, ajuda o corpo a libertar-se do stress e alivia a ansiedade. O Despertar de Buda da Iswari tem imensas combinações de sabores e é realmente um pequeno-almoço muito completo. Podem fazer-se papas com água morna, adicionar a smoothies ou sumos, usar em panquecas. Definitivamente, o que mais gosto neste tipo de produtos é quando me criam vontades e este é um desses casos.
Não está na loja online, mas o valor ronda os 10€, se bem me lembro.


Têm outras dicas para a troca?

O Ervanário Portuense tem várias lojas espalhadas pela cidade do Porto. Esta onde fui fica na Rua de Júlio Dinis, nº 829.

Boas compras e bom fim-de-semana!


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24/02/2017

Almôndegas de peru com manjericão, esparguete integral e bimis

A Camila faz um ano na próxima segunda-feira (dia 27).
Primeiro, pensei que podia delegar tudo numa daquelas empresas de organização de eventos - eu, ingénua me confesso - que cobram no mínimo uns 500 euros para decorar só a mesa da festa. Empresas conhecidas, é claro. Se falarmos em toda a sala, mais adereços para fotografias e outros pequenos detalhes a coisa pode descambar para os 900-1000 euros alegremente. Há festas que chegam aos 5000 euros, por exemplo. Não são festas, são happenings e é um assalto.

Resultado: pus mãos à obra. Fui à papelaria comprar uma espécie de cartolinas esponjosas para fazer uns corações, colas, pauzinhos, cartões e afins e tudo o que são artigos para festa (copos, pratos, grinaldas, pompons, balões, etc.) foi comprado online na Docinho de Açúcar, que tem coisas verdadeiramente espectaculares e com muito bom ar. Em dois dias estava tudo cá em casa.

Entretanto, falta o bolo (ainda pensei em fazer, mas depois tive um rasgo de lucidez e abandonei a ideia), os cupcakes e as bolachas com os animais da quinta: sei o que quero, como quero e encontrei uma cake designer que tem um portfólio de babar. Vamos ver se tudo isto chega a tempo.
As flores, a fruta e o hélio dos balões vou tratar no próprio dia da festa, assim como as pipocas.

Ando a pensar nesta festa há, pelo menos, dois meses porque a menina Camila começou a dizer que ia fazer um ano com o dedo indicador e de seguida bate palminhas. Que é como quem diz: faço anos e vou ter festa. Só queria que vissem felicidade dela. Ora, não posso defraudar as expectativas da miúda, até porque as fotografias ficam para a posteridade... e a verdade, nua e crua, é que estou a adorar fazê-lo.

Para além disto e de outras coisas que andam na calha, não me tem sobrado muito tempo. 
Fiz estas almôndegas ontem em pouco mais de meia hora. É uma festa de cores no prato, qual Carnaval, e é uma daquelas taças que eu tanto aprecio, que confortam até a alma. Disseram, quem provou, que são a melhor versão até à data. Espero-vos na cozinha para confirmarem a tese.










INGREDIENTES
[4 pessoas]

Para as almôndegas [rende umas 18]
550g de peito de peru, sem gordura, triturada
5 colheres de sopa (cheias) de farelo de aveia (usei biológico da Naturefoods)
1 ovo biológico
1 cebola média
Meio pimento vermelho
1 cenoura
Sal e pimenta preta q.b.
5 folhas de manjericão

Para o molho
1 fio de azeite
1 cebola
1 dente de alho
2 tomates maduros
150 g de cogumelos frescos

Para o acompanhamento
250g de esparguete integral (usei biológico, da Naturefoods)
1 embalagem de bimis
Tomates-cereja a gosto
Lascas de queijo parmesão a gosto


PREPARAÇÃO
  1. Começamos por fazer as almôndegas: numa taça, colocamos a carne picada (triturei o peito de peru na Bimby, vel. 7) e juntamos-lhe o farelo de aveia, o ovo inteiro, a cebola picada, o pimento partido em pequenos cubos, a cenoura ralada, os temperos e o manjericão e envolvemos bem com as pontas dos dedos até obtermos uma mistura homogénea (como na imagem).
  2. Com as mãos húmidas, formamos pequenas bolinhas e reservamos.
  3. Num tacho de base larga, colocamos o azeite, a cebola em meias-luas e o alho picado e deixamos alourar. Adicionamos o tomate pelado e partido em cubos e deixamos apurar cerca de 8-10 minutos. [Nota: se o tomate não libertar sumo suficiente, adicionamos algumas colheres  de polpa de tomate ou mesmo de água].
  4. Colocamos as almôndegas no tacho e juntamos os cogumelos partidos em pedaços. Tapamos e deixamos cozinhar por 30 minutos.
  5. Entretanto, num outro tacho, cozemos o esparguete em água abundante temperada com sal, seguindo as instruções da embalagem. Na parte final da cozedura (últimos 4 minutos), adicionamos os bimis. 
  6. Servimos as almôndegas, o esparguete e os bimis numa taça e adicionamos, a gosto, tomate-cereja, lascas queijo parmesão e pinhões previamente tostados. 
Tenham um bom fim-de-semana  


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17/02/2017

Lancheiras escolares biológicas para toda a semana


Há muito tempo que ando a preparar este post e fico muito feliz por mostrar ao ursinho a luz do dia.
Nos workshops que fiz sobre alimentação infantil houve sempre o mesmo pedido por parte dos pais: o que lhe posso enviar para a escola?




Seja por falta de tempo, de ideias ou mesmo por falta de informação, a maioria dos pais acaba por mandar todos os dias o mesmo lanche: um pacote de leite e um pão. Ou bolachas. Na pior das hipóteses (mas que não é assim tão raro, infelizmente) bolos, bollycaos, batatas fritas, o que for.

Uma das coisas que mais me impressionou desde que comecei a fazer este projecto foi o facto de ter sabido que há crianças que comem rissóis ao pequeno-almoço. Fiquei perplexa. Por muito mal que uma criança se alimente, dar-lhe fritos, gordura pura e nenhuma vitamina boa logo pela manhã, ultrapassa todos os limites do aceitável. Essas crianças são as mesmas que não comem sopa ou vegetais e os pais dessas crianças não virão certamente aqui ao blogue ler este post, porque basicamente, não se interessam pelo tema. Não digo isto de ânimo leve. São poucos os pais que realmente se importam com o que os filhos comem e o desleixo tende a aumentar proporcionalmente com a idade dos miúdos.

Eu sei que não vou mudar o mundo, mas este blogue chega a muitas pessoas e não custa tentar. Se não mudar mentalidades, pelo menos tento consciencializar de alguma forma os pais ou os educadores para a importância da alimentação saudável.

É por isso que hoje o post é um cinco-em-um - uma lancheira por dia da semana. Para levar a bom porto esta missão pedi a ajuda da nutricionista Catarina Trindade, que me explicou algumas notas essenciais.



Vamos por partes:

- Uma lancheira completa deve ser composta por um cereal (pão, tostas, granola, panquecas, bolo caseiro e sem açúcar, tortilhas de milho, crepe), um lacticínio (leite, queijo, iogurte, kefir) e uma peça de fruta. 
O cereal é a principal fonte de energia e assume grande preponderância no desenvolvimento neurocognitivo da criança. Não cortem os hidratos de carbono, eles não são os maus da fita;
O lacticínio é uma importante fonte de cálcio, ajuda no crescimento e na manutenção dos ossos saudáveis;
A fruta, dependendo da sua cor, fornece diferentes tipos de vitaminas. A da época deverá ser a primeira opção.
Para além disto, devem complementar a lancheira sempre com uma garrafa de água ou uma infusão para beberem ao longo do dia. Uma vez por semana, as crianças podem levar um sumo 100% fruta (preferencialmente feito em casa);
- O excesso de cálcio é um problema. Não devem colocar na mesma lancheira duas fontes de cálcio, como, por exemplo, um iogurte e um pão com queijo. Em relação ao queijo, uma fatia é o suficiente. Evitem o fiambre; se não der mesmo para evitar, prefiram o de peru ou frango;
- Sempre que possível prefiram produtos biológicos. Já aqui falamos sobre isso várias vezes e os benefícios são muitos, principalmente no caso da fruta e sobretudo se esta não puder ser descascada (como é o caso da maçã ou dos morangos). Trata-se de um investimento na saúde;
- Tivemos (eu e a Catarina) a preocupação de variar as cores dos alimentos. Cores diferentes significam nutrientes diferentes. Se não seguirem estas propostas à risca, tentem diversificar com o que têm em casa ou façam as compras da semana a pensar nisso.
- Estas propostas são apenas isso, propostas/sugestões e dependem, obviamente, do que a criança ingere ao longo do dia, da sua idade e do estilo de vida que tem (mais sedentária, mais activa, mais exigente, menos exigente).



Segunda-feira





- 3 mini-panquecas de banana com farinha de espelta biológica (receita aqui)
- 1 pacote de leite simples
- 6 a 8 morangos biológicos

O produto de destaque: farinha de espelta Pró Vida
Tenho feito inúmeras receitas com esta farinha de espelta (que é da família do trigo) e adoro-a. Uso-a em panquecas, crepes, bolos. A espelta tem mais nutrientes do que o trigo e como tal é mais completa, não é refinada e a digestão é mais fácil. Usem e abusem dela.

Terça-feira


- 2 fatias de pão de centeio e sementes biológico Miolo
- 1 fatia de queijo
- 1 kiwi

O produto de destaque: pão de centeio e sementes da Miolo
O pão branco é um alvo a abater. A sério, não tem interesse nenhum. Prefiram as versões de centeio, mistura ou cereais. Este da Miolo tem a vantagem de aguentar mais dias do que o pão fresco comum.

Quarta-feira

- 2 tostas integrais Naturefoods com compota de morango sem açúcar adicionado
- 1 queijo tipo babybel
- 1 clementina bio

O produto de destaque: compota de morango PurNatur sem açúcar
É muito docinha, mas tem 0% de sacarose, ou seja, não tem outro açúcar que não o da fruta. E sabe mesmo, mesmo a morango.

Quinta-feira

- 2 fatias de pão de mistura biológico Pão Nosso
- 1 iogurte líquido natural biológico
- 1 maçã biológica

O produto de destaque: maçã
Um destes dias li um artigo sobre a fruta nos EUA e que advertia o consumidor para não comer fruta com casca (uma simples maçã tinha cerca de 48 pesticidas diferentes). Inclusive dizia que se não pudesse descascar a fruta que era melhor não a ingerir de todo. O panorama em Portugal não será tão gravoso, mas fica a dica. O facto de ser biológica é mesmo o principal motivo de destaque desta maçã. Comam-na sem medos com casca, que é onde estão quase todas as vitaminas.
Esta é uma fuji, crocante, doce e suculenta.

Sexta-feira


- 2 colheres de sopa de granola Trinca biológica
- 1 iogurte sólido natural biológico
- 8 a 10 framboesas biológicas

O produto de destaque: granola Trinca biológica
Já provei muitas granolas na vida, mas nenhuma como esta. Conheci-a no pequeno-almoço de um hotel onde estive no Verão passado e desde então tem sido uma companhia assídua, sobretudo desde que o espaço Bio & Natural a começou a exibir nas suas prateleiras.
A que vos mostro é de arandos e côco, mas a marca tem várias opções à escolha. São todas maravilhosas (eu não tenho problemas em adjectivar quando é merecido).

Resumindo: variem e simplifiquem.

Há uns purés da ClearSpring biológicos que me parecem óptimos, porque são apenas fruta. Nem sempre vamos ter tempo ou disposição para descascar a tangerina ou lavar morangos às 8h da manhã. Estas soluções são mais práticas e existem precisamente para nos facilitar a vida. É só um exemplo, encontrarão certamente muitos mais nas vossas compras. 
Não temos que ser escravos da cozinha nem da comida. Ela só serve para nos fazer felizes.

Se tiverem alguma dúvida ou precisarem de informação especializada, comentem na caixa de comentários que a Catarina ajudar-vos-á.

Nota: estas lancheiras são as snackbento da +SmartLunch Portugal  e estão à venda no El Corte Inglés por 14,99€.

Post em parceria com o espaço Bio & Natural do El Corte Inglés Gaia-Porto


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14/02/2017

Cozinhar é um gesto de amor

Eu não ligo patavina ao Dia dos Namorados. Acho-o comercial, torna o amor uma obrigação e é até piroso q.b. Daí que não preparei nenhuma receita delico-doce para publicar hoje, nem sequer um singelo fondant de chocolate.

Não obstante, celebrar o Amor é importante. É mesmo muito importante. Mas não esse amor de calendário, o de todos os dias. O que exige um esforço permanente para que o barco não afunde. Aquele que, mesmo com o passar do tempo - e de muito tempo -, continua a ter força para remar, histórias por viver, caminhos por onde ir, planos para cumprir, desejos por concretizar. E esse amor assume múltiplas formas. Hoje, falo-vos de uma delas.

No Sábado, acordei cedo para ir Cozinhar por uma Causa. A Bimby promoveu um evento solidário na Alfândega do Porto onde se propunha a cozinhar 420 refeições. 110 máquinas a trabalharem em simultâneo para levar comida quente a quem mais precisa. A quem, na verdade, está habituado a comer os restos dos outros, as sobras, o que já ninguém quer, os pacotes abertos que já não podem ser vendidos, o que sobejou no final do dia e não pode regressar à montra. Comida fresca, é uma raridade; comida fresca feita especialmente para essas pessoas é inédito.

Cozinhamos por camadas uma sopa de legumes, frango, pão ralado, béchamel, arroz e maçã a vapor com canela. As refeições foram embaladas e entregues à Refood e à Associação Coração na Rua para serem posteriormente distribuídas.
Devo dizer-vos que raras vezes vi algo tão bem organizado e tão bem estruturado tendo em conta a dimensão e a logística que implicava. Éramos centenas de pessoas. E, depois, havia uma aura única no ar (de repente, sinto que estou a falar de coisas esotéricas, e não, foi bem real) própria de quem tem uma missão tão valiosa entre mãos.
A ajudar-me tive duas companheiras incríveis: a Denize, a minha agente, a quem agradeço do fundo do coração o convite, e a Joana, que é um doce e adorei conhecer.
O tempo voou. Eu fiquei cheia de fome. O meu coração ficou apertado e estupidamente feliz.

Se isto não é amor, então eu não sei nada sobre o assunto.







Esperamos por edições futuras.
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10/02/2017

Smoothie bowl para começar bem o dia

Sempre que penso em tornar a primeira refeição da manhã mais rica, nutritiva e variada lembro-me também de todas aquelas pessoas que estão no extremo oposto. Conheço algumas.

Numa viagem de jornalistas aqui há uns anos, estávamos defronte de um maravilhoso buffet de pequeno-almoço quando umas das minhas colegas disse que todos os dias comia exactamente a mesma coisa: pão com manteiga e café com leite. Não contemplava variações para compotas, nem acrescentava sumo ou fruta. O mesmo pão, o mesmo café, o mesmo sabor, dia após dia. Além de acordar com pouca vontade para incursões culinárias adorava aquele pequeno-almoço, explicava-me.
Comigo passa-se o contrário.
Gosto de fazer panquecas, smoothies, taças de iogurte com granola e fruta, papas de aveia, torradas - e acordo com fome. 15 minutos é o limite máximo que despendo nesta missão embora, por norma, só os atinja ao fim-de-semana.

Esta colega, naquela manhã, tinha no prato bacon, ovos, churros, bolo caseiro, pães, sumos, frutas. Estava a vingar-se.
O que levamos desta vida são os pequenos-almoços dos hotéis, acho que não restam dúvidas em relação a isto. Eu, por exemplo, quero voltar a determinados sítios não pela cama, não pela vista, não pelo sossego, tão-só pelo pequeno-almoço. É o meu momento alto do dia. 
Em casa, a alegria não é comparável, mas esforço-me (com gosto) por variar. Faço-o por mim, que se assim não for mais ninguém quer saber. 
Depois também há os dias em que acordo com preguiça, com sono, sem grande alegria para bater ovos ou laminar maçãs.

Para quem tem pouco tempo (eu! eu!) ou não muita paciência para diversificar a primeira refeição do dia este smoothie em taça (smoothie bowl) é uma excelente alternativa. Um minuto no liquidificador e mais meio para terminar a decoração do prato.
Esta combinação tem feito maravilhas pelo meu estado de saúde muito por culpa do kiwi, que é uma excentricidade perfeita de nutrientes (tem uma quantidade de vitamina C superior à de qualquer outro citrino).
O pão com manteiga até pode ser bom, mas não compete com isto ;)





INGREDIENTES
2 bananas maduras (congeladas de véspera)
1 mão cheia de espinafres baby
1 kiwi
2 colheres de sopa de sumo de limão
1 colher de sopa de sementes de linhaça
Meio copo de água

Topping
Meia banana laminada
Framboesas frescas q.b.
Lascas de côco seco ao natural (usei biológicas, da Naturefoods)
1 colher de sobremesa de sementes de chia
1 colher de sobremesa de pólen de abelha

PREPARAÇÃO
  1. Na noite anterior, laminamos as bananas, que devem ser maduras, e congelamos num saco com fecho zip.
  2. Juntamos, pela ordem indicada, todos os ingredientes no robot e batemos na velocidade máxima durante 1 min (Bimby: 1min/vel.9). Se necessário, juntamos um pouco mais de água [não deve ficar líquido, pois é para comer com colher].
  3. Vertemos o smoothie verde para uma taça e decoramos a gosto com a banana, framboesas, lascas de côco, sementes de chia e pólen de abelha. 

[Nota: não é necessário juntar açúcar ou mel. As bananas emprestam a doçura suficiente].




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09/02/2017

Em prisão domiciliária


Estar em casa em permanência tem um efeito verdadeiramente nefasto em mim. Nem é só porque estou doente e não posso pôr a ponta do nariz nos cinco graus que me esperam lá fora, mas porque estar doente e ter que cuidar de uma bebé doente tantas horas por dia é arrasador. É por isso que o blogue tem estado assim nos últimos tempos, em modo hibernação. [Peço-vos desculpa por isso]

No meu dia-a-dia comum, entretenho-me facilmente em casa e lido bem com o facto de passar muito tempo sozinha. Mas isso é apenas porque sei que posso sair sempre que me apeteça, nem que seja para comprar flores ou o jornal aqui na rua. Quando me vejo obrigada a estar em casa, qual prisão domiciliária, o caso muda de figura.

Desta vez (vejam só!), a gripe alastrou-se à retina e fartei-me de alguns elementos da decoração - o meu marido diz que é uma embirração temporária que pode regredir a qualquer momento, eu acho que já ultrapassei essa fase e quero mesmo é vê-los pelas costas.
Comecei pelo candeeiro de tecto da sala, estendi-me ao tapete do hall de entrada e de, cada vez que dou por mim a olhar mais de cinco minutos para a mesma parede - o que acontece com muita frequência dado o estado de clausura -, há toda uma veia de home styling que se apodera de mim e me consome os nervos. 

O caminho mais fácil (aliás, o único) que posso fazer é a prospecção de mercado online - e sabe Deus como poderia fazer terapia de largas horas nisso, não fosse a Camila estar sempre a pôr-se em pé e eu ter que estar permanentemente em cima dela.

Para já, haja ânimo, encontrei todas estas coisas bonitas e gostava muito de as ver aqui em casa.



Clicar nas imagens para mais detalhes


[Obrigada a todos pelas mensagens que enviaram ♥ ]

27/01/2017

Bolo de mirtilos com sementes de papoila


Até esbarrar num bolo de mirtilos da Tara O'Brady, uma das muitas receitas do seu livro Seven Spoons, a minha vida decorria sem grandes percalços, que é como quem diz, nada me afligia de sobremaneira.
Só que aquela página nunca mais me abandonou até que, na terça-feira, decidi ir ao supermercado comprar os ingredientes que faltavam (tinha a maioria em casa o que também foi um bónus). 
Adiei até quinta.
Ontem, quando acordei disse mal da minha vida. O dia estava escuro, luminosidade zero, uma tragédia para quem, como eu, fotografa sempre dependente das condições climatéricas. Não desisti. Não fiz o bolo de manhã, esperei pelas abertas com que a tarde mais provavelmente me brindaria (ingénua).
Fui obrigada a acender a luz - que detesto e que me faz gostar um bocadinho menos destas fotografias - mas não dramatizei (mais).

Hoje de manhã, a rotina habitual: acordei, vesti a Camila - que já tinha tomado o leite - ela foi para escolinha e eu tomei o pequeno-almoço tranquilamente (e publiquei-o no Instagram).
Depois, sentei-me na cadeira branca que é uma réplica muito boa da Charles Eames, tirei o cartão da máquina fotográfica e introduzi-o no computador.
O cartão já tem uns anos e muito, muito uso, e de todas as vezes que faço este gesto penso que já devia ter um pé na Fnac para o substituir por outro. Mas não, a letargia, sempre a letargia. 
O ícone da fotografia não saltitava como habitualmente. Nem sinal do cartão.
Meia hora.
Uma hora.
Inspira, expira. Este bolo está contra mim.

O cartão dá sinal de vida e eu quase me comovi.
Começo a ver as imagens.
Um flagelo: demasiado escuras, a luz não resultou, a edição não melhora. Lixo. Faço a selecção possível e acho que esteticamente a composição ficou muito aquém do que é o meu padrão. 

Depois, penso no que é realmente importante: o sabor do bolo.

A massa é muito leve, os mirtilos nasceram para estar ali, a raspa de limão e a baunilha rejubilam o palato e não se pode pedir muito mais do que isto de um bolo.
Questiono-me se vale a pena a partilha. Respondo-vos com o que se segue.

24/01/2017

Workshop de Alimentação Infantil Biológica | As receitas

Este sábado dei um workshop sobre Alimentação Infantil Biológica, no espaço Bio & Natural do El Corte Inglés Gaia-Porto (há vídeos inclusive na minha página de Facebook e na do Bio também, caso queiram espreitar).

Foram duas horas que passaram a voar e foi uma experiência inesquecível, a de falar e cozinhar ao vivo no supermercado, não só para quem se inscreveu, mas para todas aquelas pessoas que iam passando - e algumas provando - o resultado da minha inspiração.
Como prometido, deixo-vos aqui as quatro receitas que fiz.

E porque nunca é demais, agradeço novamente ao ECI pelo convite e à Ana em particular, que tem sido inexcedível, assim como à Catarina, que esteve ali o tempo todo comigo como uma verdadeira companhia e companheira de aventura.






Pequeno-almoço: panquecas em formato de gelado (idade: + 12 meses)

Ingredientes

1 banana pequena, madura, esmagada
1/2 iogurte de bebé natural (ou grego light açucarado)
120 ml de bebida vegetal de amêndoa sem açúcar adicionado
150 g de farinha de espelta branca
1 colher de sobremesa de fermento em pó
1 pitada de canela
1 colher de sopa de mel (opcional) só a partir dos 2 anos
Para decorar: 1 banana, cereja ou framboesa, canela em pó

Preparação
  1. Pela ordem indicada, juntamos todos os ingredientes numa taça e mexemos com uma vara de arames.
  2. Numa frigideira anti-aderente e sem gordura, deitamos uma concha de massa de cada vez. Assim que fizer pequenas bolhas, viramos a panqueca e douramos do outro lado. 
  3. Repetimos o processo até terminar a massa. 
  4. Cortamos as panquecas em formato de cone de gelado e juntamos a banana em rodelas e a cereja no topo (como na imagem). Polvilhamos com canela.
Sopa: creme de batata-doce e alface (idade: + 4 meses) 

Ingredientes

1 chuchu 
1 batata-doce bio
Meia cebola bio
3 folhas de alface bio
Frango (opcional)

Preparação
  1. Descascamos o chuchu, a batata-doce e a cebola. Cortamos em pedaços e colocamos numa panela. Juntamos as folhas de alface partidas grosseiramente. 
  2. Colocamos os legumes numa pequena panela e cobrimos com cerca de ¾ de água. [Se quiser, acrescente também a proteína (o frango, neste caso)]. Deixamos cozer em lume médio-alto por 20 minutos. Trituramos com uma varinha mágica ou liquidificador até ficar sem grumos.
  3. Servimos com uma colher de chá (pequena) de azeite.

Prato principal: esparguete com legumes, em formato de flor (idade: + 11 meses)

Ingredientes

100 g de esparguete bio
2 colheres de sopa de ervilhas
1 cenoura bio (pétalas)
Feijão-verde redondo q.b. (caule)
2 folhas de manjericão (folhas)
2 colheres de sopa de milho doce (solo)
Nota: adicionar 20 a 30 g de proteína para uma refeição completa

Preparação
  1. Cozemos o esparguete, as ervilhas, a cenoura cortada em rodelas e o feijão-verde redondo em água fervente (não usar sal até aos 12 meses inclusive) por 15-20 minutos.
  2. Servimos o esparguete no centro do prato, fazendo uma esfera. Colocamos as ervilhas sobre a massa, as rodelas de cenoura a toda a volta (pétalas), o feijão-verde como caule e o manjericão a servir de folhas. Finalizamos com o milho doce, como se fosse o solo.
Sobremesa: bolo de iogurte (idade: +12 meses)

Ingredientes

1 copo de iogurte natural
4 ovos biológicos
1 medida de açúcar mascavado branco bio
Raspa de meio limão
3 medidas do copo de farinha de espelta branca bio (ou farinha de trigo sem fermento)
1 colher de chá de fermento em pó
1 medida do copo de leite magro
Framboesas e mirtilos para decorar

Preparação
  1. Pré-aquecemos o forno a 180º C.
  2. Pomos o iogurte numa taça.
  3. Batemos as gemas com o açúcar. Juntamos a raspa de limão e iogurte reservado e misturamos.
  4. Acrescentamos agora, delicadamente, a farinha e o fermento.
  5. À parte, batemos as claras em castelo e envolvemos no preparado anterior.
  6. Juntamos o leite e incorporamos.
  7. Vertemos a massa para uma forma, previamente untada com manteiga e polvilhada com farinha, e levamos ao forno por 35-40 minutos (fazer teste do palito).
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Tem sido uma honra integrar este projecto e ajudar a mudar mentalidades, incutindo nas famílias hábitos de vida saudáveis, frescos e isentos de químicos desde a mais tenra idade. 
Muito obrigada a todos  

20/01/2017

Tosta de camarão com pesto de tomate seco


Venho aqui de fugida, com os minutos contados, que serão mais ou menos os mesmos que demorei a fazer estas tostas de camarão. 

Comprei o pão fresco, o camarão já cozido, o tomate seco ali estava e os ovos foram depressa para o lume que fez deles alimento. 
São fatias espontâneas e generosas como uma língua afiada e comem-se com a mão, como se quer. Já foram o meu almoço e só não serão jantar porque não sobrou migalha. E isso diz muito ou diz tudo.








Prato de cerâmica DaTerra

INGREDIENTES
[2 pessoas]

4 fatias de pão saloio (ou outro à escolha)
1 fio de azeite
2 mãos cheias de agrião baby
300 g de miolo camarão cozido
4 ovos de codorniz cozidos
Pimenta preta q.b.

Para o pesto
7 pétalas de tomate seco
Azeite q.b. (se necessário)
1 pitada de sal
1 colher de sopa de queijo parmesão ralado
Meio dente de alho
1 colher de sopa de orégãos secos

PREPARAÇÃO
  1. Demolhamos o tomate seco em azeite por cinco minutos [se já comprarem dos que estão embebidos em azeite ou óleo de girassol, ignorem este passo).
  2. Cortamos o pão em fatias com cerca de 1,5 cm de espessura. Pincelamos uma das faces com azeite e douramos no grelhador (apenas esse lado).
  3. Entretanto, arranjamos o camarão, descascando-o e removendo-lhe o trato digestivo, e cozemos os ovos de codorniz.
  4. Para o pesto, colocamos todos os ingredientes por ordem num robot de cozinha e processamos até obtermos uma pasta.
  5. Espalhamos uma colher chá de pesto por cada fatia de pão. Sobrepomos o agrião, o camarão (5 por tosta) e os ovos cortados em metades. Polvilhamos com um pouco de pimenta preta.
  6. Colocamos numa frigideira, em lume médio-alto, um fundo de azeite. Adicionamos dois dentes de alho esmagados e deixamos aromatizar o azeite por 2-3 minutos.
  7. Vertemos uma colher de chá deste azeite sobre cada tosta e servimos.

A quem se inscreveu no workshop de Alimentação Infantil Biológica, até amanhã :)
A todos os outros, bom fim-de-semana!





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