14/02/2017

Cozinhar é um gesto de amor

Eu não ligo patavina ao Dia dos Namorados. Acho-o comercial, torna o amor uma obrigação e é até piroso q.b. Daí que não preparei nenhuma receita delico-doce para publicar hoje, nem sequer um singelo fondant de chocolate.

Não obstante, celebrar o Amor é importante. É mesmo muito importante. Mas não esse amor de calendário, o de todos os dias. O que exige um esforço permanente para que o barco não afunde. Aquele que, mesmo com o passar do tempo - e de muito tempo -, continua a ter força para remar, histórias por viver, caminhos por onde ir, planos para cumprir, desejos por concretizar. E esse amor assume múltiplas formas. Hoje, falo-vos de uma delas.

No Sábado, acordei cedo para ir Cozinhar por uma Causa. A Bimby promoveu um evento solidário na Alfândega do Porto onde se propunha a cozinhar 420 refeições. 110 máquinas a trabalharem em simultâneo para levar comida quente a quem mais precisa. A quem, na verdade, está habituado a comer os restos dos outros, as sobras, o que já ninguém quer, os pacotes abertos que já não podem ser vendidos, o que sobejou no final do dia e não pode regressar à montra. Comida fresca, é uma raridade; comida fresca feita especialmente para essas pessoas é inédito.

Cozinhamos por camadas uma sopa de legumes, frango, pão ralado, béchamel, arroz e maçã a vapor com canela. As refeições foram embaladas e entregues à Refood e à Associação Coração na Rua para serem posteriormente distribuídas.
Devo dizer-vos que raras vezes vi algo tão bem organizado e tão bem estruturado tendo em conta a dimensão e a logística que implicava. Éramos centenas de pessoas. E, depois, havia uma aura única no ar (de repente, sinto que estou a falar de coisas esotéricas, e não, foi bem real) própria de quem tem uma missão tão valiosa entre mãos.
A ajudar-me tive duas companheiras incríveis: a Denize, a minha agente, a quem agradeço do fundo do coração o convite, e a Joana, que é um doce e adorei conhecer.
O tempo voou. Eu fiquei cheia de fome. O meu coração ficou apertado e estupidamente feliz.

Se isto não é amor, então eu não sei nada sobre o assunto.







Esperamos por edições futuras.
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17/01/2017

Sopa de lentilhas, batata-doce e germinados de alho [receita biológica]

Muito se fala sobre o consumo exagerado de açúcar, mas pouco se tem lido sobre o de sal. 
Em 2016, dei início à guerra. Apesar de achar que não me excedia nas minhas receitas, os cinco gramas diários recomendados pela OMS eram largamente batidos em pequenas coisas: azeitonas, frutos secos, e por aí fora. 

O sal é um produto tóxico -  tão letal como o açúcar - e custa milhares de vidas por ano em Portugal, milhões em todo o mundo. Está concentrado sobretudo em alimentos processados (cerca de 75%, para ser mais exacta), tais como enchidos, conservas, pão de forma, massas instantâneas, caldos de compra, molho de soja, bolachas. Uma pizza de supermercado tem cinco gramas de sal, o que significa que a dose diária é atingida numa só refeição. 
Portugal é viciado em sal. Cada português consome, em média, 11 gramas por dia.

Uma boa forma de cortar no sal é arranjar alternativas que "enganem" o paladar. Usar de temperos naturais como cebola, alho, ervas aromáticas, limão. E dar-lhe/dar-nos tempo. Ninguém consegue comer um arroz sem sal de repente, se toda a vida o ingeriu com sal. Não é só insosso, é intragável. Mas se começarmos a reduzir as quantidades de forma gradual, todas as semanas, o organismo vai adaptar-se facilmente (diz-se que, em média, o palato leva 22 dias a habituar-se).

Gostava de explorar mais este assunto no que diz respeito também à alimentação infantil e é o que farei num próximo post da rubrica Sweet Bio For Kids, com a ajuda da Catarina, a minha nutricionista preferida :)
Já em relação às sugestões biológicas para adultos, andei por ali a ver o que fiz até agora e, se é verdade que ainda há muito por onde ir, também é verdade que faltava um básico indispensável: uma sopa. 
Gosto de ter sempre sopa em casa e faço-a para três/quatro dias. No Inverno, sabe-me especialmente bem, mas como-a todo o ano numa base senão diária, quase.

Esta receita que hoje vos trago encaixa na categoria de "comfort food" - comida de conforto, em português. É densa, cremosa, aquece a alma. Requer poucos minutos de preparação e largas horas de saciedade. E, na realidade, não serve só adultos, mas toda a família.

As leguminosas (como as lentilhas, o feijão e o grão) são muitas vezes marginalizadas ou quando  são consumidas preferem-se as enlatadas. Um problema de sal, como vos dizia. Escolham as secas, cozam-nas e temperem-nas ao vosso gosto. Dá um pouco mais de trabalho mas, além de ser incomparavelmente mais saudável, é também mais económico.
O espaço Bio & Natural, do El Corte Inglés de Gaia-Porto tem lentilhas a granel. Uma opção inteligente e sustentável.
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